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sábado, 14 de janeiro de 2012

Ternura (Vinícius de Moraes)


Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente

E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não trai o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o
olhar extático da aurora.

Dois amantes, o mundo (Jorge Reis-Sá)


Dois amantes, o mundo
Cada um no seu reino, beijam-se nas praias
Quando as ondas batem as areias

O mar é o meu navio,
Hoje naufrago feliz

Sabes quem sou, as dunas
Que se levantam com o vento são
Os sonhos do amor que dormita
Em sossego nas praias

A terra és tu o mar sou eu

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Ame para amar!


O amor não tem causa, e nem pede nada em troca.
Amar porque o amam, é amar por uma causa.
Amar para que te amem, é amar por querer algo em troca.
Ame sem um "porque". Ame sem um "para que".
Se ama porque te amam, é obrigação, é dó.
Se ama para que te amem, é negociação, é interesse.
Quem ama porque amam, é covarde.
Quem ama para que amem, é manipulador.
Ame não porque te amam.
Ame não para que te amem.

Ame porque ama. E ame para amar.

Soneto do Maior Amor (Vinícius de Moraes)


Maior amor nem mais estranho existe 
Que o meu, que não sossega a coisa amada 
E quando a sente alegre, fica triste 
E se a vê descontente, dá risada. 

E que só fica em paz se lhe resiste 
O amado coração, e que se agrada 
Mais da vida eterna aventura em que persiste 
Que de uma vida mal-aventurada. 

Louco amor meu, que quando toca, fere 
E quando fere vibra, mas prefere 
Ferir a fenecer – e vive a esmo 

Fiel à sua lei de cada instante 
Desassombrado, doido delirante 
Numa paixão de tudo e de si mesmo.